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Assumo: Eu sou um servo cruel – Por João Wanderley (Café)
Um rei resolveu ajustar contas com seus servos, e chamando um que lhe devia dez mil requereu-lhe o pagamento. Este disse que não podia pagar, sendo assim o rei ordenou que lhe fossem vendidos os filhos a mulher e tudo que tinha para quitar a divida. No entanto o servo em desespero rogou ao rei que lhe concedesse um prazo que este lhe pagaria, implorou clemencia, e o rei atendeu seu chamado perdoando sua divida e lhe mandou embora.
Saindo da casa do rei esse servo encontrou um de seus conservos, que lhe devia quinhentas pratas. Agarrou-o e sufocou-o exigindo-lhe o pagamento imediato. No entanto, o conservo lhe rogou paciencia, e um prazo que ele pagaria a divida. Entretanto, o seu senhor lhe mandou para cadeia, tendo que permanecer lá até que lhe pagasse o ultimo centavo da divida.
Porém, a esta cena assistiram seus companheiros, que muito se entristeceram e foram relatar ao rei o que se passara. O rei furioso mandou chamá-lo e dissse: Servo malvado, te perdoei toda a divida porque me suplicaste, não deveria tu fazer o mesmo se compadecendo do seu servo assim como me compadeci de ti? E indignado o rei lhe entrgou aos carrascos até que lhe fosse remida a divida.
Esta parabola é contada por Jesus em Mt. 18. 23-35, onde no versículo final Ele diz que assim Deus fará com aqueles que em seu intimo não perdoarem verdadeiramente seus irmaos.
Quando li esta parabola antes de chagar ao final já estava com raiva desse servo safado que recebeu o perdao de suas dividas e não perdoou seu irmao. Mas ai quando cheguei no final tomei aquele choque, já que percebi que esse cara de quem tenho raiva, na verdade, sou eu mesmo.
Deus morreu por nós, na cruz sofreu tudo que nós tinhamos que sofrer, tudo isso para que não não precisassemos passar por isso. E qual foi a motivaçao de Cristo para isso? O amor!! Deus é movido por amor, Ele é cheio de amor, Ele nos ama tanto que enviou seu filho para morrer por nós, riscou a cedula da morte que havia contra nós, nos tirou do imperio das trevas e nos trouxe para sua maravilhosa luz.
Já estou crucificado com Cristo, agora vivo não mais eu! Esta frase dessa musica näo sai da minha cabeça! Cristo veio a terra e foi crucificado por mim, que loucura. O Senhor, O Soberano, Rei dos Reis, que não precisava ter feito o que fez, já que tinha a opçao de não fazer……mas seu AMOR é täo grande que se entregou por nós.
Que amor é esse? Realmente não consigo entender. Mas deescobri que não da para entender, o que eu preciso é crer e agradecer.
Minha vida, na verdade, é fruto de um sacrifício de amor, que Jesus fez por mim, sem nenhum merecimento, ou seja, eu não era nada e nem niguem que merecesse ser salvo, pelo contrário, sou um pecador como outro qualquer, mas ainda sim Deus viu algo em mim que mexeu com ele, que o fez se sacrificar pela humanidade.
Näo que eu tivesse realmente em mim algum valor, mas sou sua criatura, sou seu filho, isso demonstra o Amor de Deus pelos seus.
Isto quer dizer que tenho uma divida sem tamanho para com esse Deus, sou por isso eternamente grato. Fui retirado das trevas e trazido para sua luz. Antes estava morto e hoje vivo. Era para sempre condenado, e agora sou salvo! Gloria a Deus!
Todos os dias pecamos incontáveis vezes, e por esses pecados ele já morreu, e todas as vezes que pedimos perdao por esses pecados cometidos ele nos perdoa. Sua palavra, que não falha nunca, nos garante em I Jo 1.9 que se confessarmos nossos pecados Ele e fiel e justo para nos perdoar de todo esses pecados e nos purificar de toda a iniquidade.
Ou seja, Jesus é o Rei e nos perdoou todos os pecados, não mais estamos condenados ao inferno, mas sim iremos morar no ceu com Ele para sempre.
Mas ao mesmo tempo eu penso no verso 35 que fala que se formos iguais ao servo mal, Deus também nos entregará aos verdugos para que possamos pagar nossa divida. Na verdade não deixamos de ser merecedores do inferno, mas Deus, através de sua graça nos livrou de lá.
Sendo assim, o que se pode extrair disso tudo é que não adianta o que façamos, sempre vamos ser pecadores, I Jo 1.8-10, mas temos um advogado que já nos conseguiu a liberdade, não fomos condenados, somos livres.
Está muito claro para mim que eu sou esse servo mal, descrito nas escrituras, já de maneira reiterada eu não reconheço o sacrifício que Jesus fez por mim, mas especificamente quando deixo de anunciar o evangelho de Cristo para o mundo.
Atualmente existem grupos de pessoas que são desprezados pela igreja, aqueles que não fazem parte de estatísticas, que não entram em evangelismos, que são rejeitados pelo corpo de Cristo. Isto porque com certeza trabalhar com essas vidas da muito trabalho, e principalemente muito desgaste, estou falando das prostitutas, mendigos e drogados.
Sei que existem algumas Igrejas Evangélicas que mantém casas de reabilitaçao, que ajudam missionarios a cuidar dessas pessoas, e dessas não tenho o que falar, somente agradecer e orar por elas para que Deus as abençoe e fortaleça a cada dia. No entanto, se formos prestar atençao na maioria de nossas igrejas não vemos trabalho nesse sentido, pelo contrario, parece que essas pessoas são esquecidas.
O que me faz diferente delas? Quem sou eu para me achar melhor que elas? O que Deus fez por mim, também fez por elas! A questao, que, na verdade, é mais importante para Cristo, e que muitas vezes não percebemos, é que o Senhor prefere muito mais deixar as 99 ovelhas no aprisco, e ir resgatar uma, Ele vibra muito mais com filho rebelde que volta para casa do que aquele outro que esteve o tempo todo em casa, Ele festeja intensamente quando uma alma se rende aos seus pés.
O evangelho é para fora da igreja, se formos ficar fazendo cultos, e outras liturgias, sem amor pelos perdidos, não estamos fazendo aquilo para o que fomos chamados. Vamos agir, vamos sair do comodismo, vamos pregar para todos os cantos.
Um Clamor por Niterói quer resgatar essas pessoas, que muitas vezes escolheram essa vida por ser mais fácil, e muitas vezes por falta de opçao acabaram sendo levadas a isso. Queremos levar o amor de Deus, que preferia estar com publicanos e prostitutas pregando, Lc. 15.
João Wanderley é fundador e missionário do Clamor, membro da Igreja Plena em Icaraí.
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